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terça-feira, 15 de março de 2011

Você gosta de futebol? Fala sério!


              Muito se tem falado em mudanças no futebol mundial visando a moralização desse mágico esporte, que apesar das necessidades urgentes de modernização, ainda consegue arrastar verdadeiras multidões aos estádios nos quatro cantos do planeta. Eu, particularmente, acho que o futebol é um esporte nonsense e quem aprecia esse circo é porque não tem vergonha.
           
            Mas afinal, quais são as mudanças mais cogitadas pelos órgãos de imprensa e estudiosos do futebol a serem propostas à International Football Association Board, órgão responsável pelas regras que regem essa paixão mundial, denominada futebol:

  • Fala-se muito em colocar mais dois juízes para fiscalizar as partidas, agora veja só: Hoje temos um juiz central, dois bandeirinhas, um juiz reserva somados aos dois juízes propostos que ficarão atrás das balizas, totalizarão seis juízes. Daqui a pouco, vamos ter mais juízes que jogadores.  Esquece, não vai dar certo... É muito juiz pra pouco futebol!

  • Fala-se também em colocar chip na bola, para acabar de vez com a eterna discussão: A bola entrou, a bola não entrou... E dai? Se for a favor de seu time a bola entrou e se for contra não entrou, mesmo que tenha entrado. Discussão, esse é o barato da coisa!

  • Acabar com impedimento é outra proposta sem fundamento e totalmente absurda. Essa não! Acabar logo com o lance que mais provoca discussões entre torcedores adversários. Aliás, aqui vai uma ingênua perguntinha: Existe coisa melhor que um gol impedido de seu time do coração, para azarar os torcedores do outro time? Pense bem nisso!
           
           Bom, vou parar por aqui. Já vi que as mudanças sugeridas até agora só vão complicar ainda mais o futebol, já tão confuso. Agora, se me perguntarem o que deve ser mudado e mesmo que não me perguntem coisíssima alguma, eu tenho a resposta e vou falar o que, realmente, precisa ser feito:

  • Acho que o futebol de campo deveria ser cronometrado tal qual o futebol de salão, onde só se conta o tempo de bola em jogo. Pois, o que assistimos hoje nos campos é um assalto ao bolso do torcedor, uma verdadeira prostituição. Um time faz um gol e simplesmente, não tem mais futebol: É bola chutada pra arquibancada, é gandula que não devolve a droga da bola, é goleiro que não bate o tiro de meta nem a poder de porrada. Enfim, a tal da cera é um verdadeiro saco. Ninguém merece!

  • Outra coisa que tem que acabar no futebol é a interpretação do juiz em relação ao toque de mão. Se a bola bateu na mão do zagueiro ou se o zagueiro colocou a mão na bola de propósito, não interessa. Foi falta e pronto! O certo é que o toque de mão do zagueiro, prejudicou o time adversário e é isso que deve contar. Futebol deve ser jogado com os pés, cabeça, barriga e outras partes menos recomendadas, menos com as mãos. Joga-se com as mãos: Basquete, vôlei, handball, peteca... Esse papo de interpretação do juiz é só pra dar margem para juízes mal intencionados e criadores de resultados aprontarem. E os tais juízes caseiros? Esses ninguém aguenta! O time da casa pode baixar o sarrafo, pode dar da medalhinha pra cima e ele não marca nada. Já o time visitante, esse tá lascado: Se ele, o juiz, cair na área, na maior cara de pau do mundo ele marca pênalti contra o time visitante. Pode uma coisa dessas?  
  • Ainda sobre as arbitragens, precisa-se tomar providências urgentes a respeito da impunidade dos árbitros. Se o jogador é expulso ou recebe três cartões amarelos ele é suspenso e às vezes multado, agora o juiz pode roubar a vontade e nada acontece. Paradoxo total! Só pra se ter uma ideia, o juiz é o único ladrão que não foge do flagrante delito e ainda por cima, sai do local do crime escoltado pela polícia. Não dá mesmo!

     Quanto a gostar de futebol, eu reafirmo minha opinião lá do comecinho do texto: Acho que homem que gosta de futebol é porque não tem vergonha. Mas, pensando bem, será que vale a pena ter vergonha quando o assunto é futebol?  
            
      Futebol é tudo de bom!

mar/2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Demagogia barata é arma de baixo calibre para combater o monstro de sete cabeças que ameaça o universo

Tenho visto, sensibilizado, centenas de almas caridosas preocupadas com a reciclagem de embalagens descartáveis pet, como se isso fosse salvar a humanidade da enrascada em que está metida. Observem uma solução simples para esse pequeno problema: Basta que as autoridades competentes baixem um decreto proibindo as multimilionárias indústrias como a Coca Cola, a Pepsi e outras menos votadas de produzi-las e obriguem-nas a substituí-las por outras embalagens que não agridam a natureza e está morto o grande monstro que nos ameaça a todo instante.
Quanto a essas almas bondosas, preocupadas em salvar o universo, revestidas do mais puro sentimento humano e que não têm o que fazer em suas intermináveis horas de ócio, sugiro que saiam nas noites de inverno e visitem as marquises e os viadutos das grandes cidades, sem se preocuparem com os holofotes e as reportagens sensacionalistas dos tablóides de plantão e reciclem seres humanos que morrem de fome e frio a todo o momento.
Ah, mais uma coisa importante! Eles tão moralistas e tão cheios de escrúpulos, podem perguntar: E o que temos nós a ver com essas pessoas que não souberam administrar suas vidas e hoje vivem jogadas na sarjeta?
Na verdade, não estou sugerindo que se preocupem com os adultos que não administraram suas vidas e hoje vivem nesses redutos de miséria e abandono, pois, esses adultos apesar das poucas oportunidades que tiveram em suas vidas, devem ser responsáveis por seus atos e devem assumir as conseqüências dos mesmos. Preocupem-se apenas com as criancinhas de um, dois, três, quatro anos de idade que nunca em suas vidas tão curtas e tão miseráveis, tiveram uma única oportunidade de sentarem-se em uma mesa e almoçarem decentemente ou de dormirem em uma cama digna com cobertor e travesseiro, assim como fazem nossos filhos todos os dias e todas as noites.
O que se vê hoje é uma inversão de valores sem fim, é muito mais honrado salvar a vida de um gato que caiu no fosso (nada pessoal contra o felino) ou reciclar algumas garrafas pet, garrafas essas que são atiradas no lixo aos milhares a todo instante, que salvar vidas de crianças que passam fome e frio nos centros das grandes metrópoles.
Também pudera, salvar crianças não dá holofotes ou manchetes em jornais e revistas, na verdade, é isso que todos buscam.
Não embarco nessa!

out/2006