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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Factual

Em tudo
Que falamos
Existe um pouco
De mentira.
Verdades
Absolutas
Residem
Nos olhares!

Insignificância

Sou muito pouco
Quase nada.
Apenas
Um girassol
Buscando o brilho
De seu olhar:
O sol!

Dossiê

O mundo muda
A cada instante
Mas a memória
Guarda as lembranças
Que marcaram
Meus dias felizes:
Ainda hoje
Ouço o cantar do curió
Na caramboleira
Do pomar de minha
Infância!

Devaneios

A garça e o lago
Viviam a sonhar:
Ela bateu asas
Voou
Para o céu 
Ele virou rio
E foi
Para o mar!

Vacilo

Na faixa de pedestre
Desviei do veículo
E fui atropelado
Por um bêbado
Que trafegava
Na contra mão!

Tempestade

Brigou com seu amor
E subiu no telhado
Veio a chuva forte
Virou goteira
E se foi
Formando inundação
Nos olhos
De quem ficou!

Volubilidade

O ser humano
É capaz de coisas
Incríveis:
Ir à lua
Projeto Genoma
Holocausto!

Paradoxo

Na terra
Dos feios
O feio será
Sempre belo
E o belo será
Sempre feio!

Senha

Considere-me
Vivo
Somente
Enquanto
Persistir
Meu sorriso!

Utopia

Os humanos
Têm muito
Que aprender
Com as formigas:
Nenhum ser
É tão solidário
Quanto elas!

Faca nos dentes

No campo
Do diálogo
Sou extremamente
Flexível.
Afora isso
Haverá sempre
A possibilidade
Do enrijecimento!

Fado

Morrer
Não pode ser
A pior coisa
Que existe.
Afinal
Todos morrem!

Resoluto

Deus
Jamais foi o tema
Em meus debates:
Tenho minhas
Convicções!

Travessia

É impossível
Atravessar o universo
Nas asas
De um sorriso.
Às vezes
Precisamos chorar!

Sem magia

Desconfio
Que meu espelho
Anda distorcendo
Minha imagem:
Hoje
Não sou
Nem sombra
Do que era
Antes!

adorno

Árvore nua
À margem
Do caminho.
Apenas
Uma borboleta
A lhe dar vida!

Diamantes

Amizade é algo tão raro
Que qualquer pessoa que disser
Que tem mais amigos
Que os dedos de uma só mão
Tem grande chance
De estar mentindo
Ou não conhece
A verdadeira amizade!

Páramo

Indiferentes
À minha presença
Gaivotas
Sobrevoam as ondas.
Elas
Alimentam o corpo
Eu
Alimento a alma!

Vista panorâmica

O sol da manhã
Vai desnudando
As montanhas
Enquanto
Nuvens esparsas
Formam desenhos
No céu!

Oração do poeta

Caminho por uma estrada
Que me fascina intensamente
Consciente de que um dia
Vou chegar ao seu final
Dispenso pompas ou lágrimas
Quero apenas
Que minha partida
Seja tão silenciosa
Quanto foi minha chegada
Que as cinzas de meus ossos
Sirvam para adubar a árvore
Que dará frutos e sombra
Aos pássaros e aos andarilhos
E que Deus
Em sua infinita misericórdia
Acolha junto a ti
Minha alma frágil
E tão pecaminosa!